Todos podem ser modelos nesta passarela em Nova York

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No primeiro dia de dezembro, as pessoas que passavam pela Times Square, em Nova York, tiveram uma surpresa ao se deparar com uma cena incomum: um desfile onde os modelos não se encaixavam nem um pouco nos padrões das grifes.

O The Real Catwalk, ou “A Passarela Real”, é um evento criado pela modelo curvy Khrystyana Kazakova, que tem como missão levar para a passarela pessoas com diversos corpos, etnias, idades e que, em geral, são consideradas fora do padrão de beleza ideal, passando uma mensagem de amor próprio e aceitação.

Khrystyana ao lado de outras modelos. Imagem: Holly Grace Jamili

Khrystyana conta que a ideia do show veio de uma de suas primeiras experiências no mundo da moda. Ela foi concorrente da 24° edição do reality show America’s Next Top Model, e um dos desafios foi um desfile aberto ao público na Times Square, a avenida mais famosa de Nova York.

A modelo conta que as mensagens de apoio que recebeu em suas redes sociais foram extremamente positivas, o que a inspirou a criar o evento.

Body positivity, para mim, significa uma inclusão completa — não é só sobre mulheres curvy, mas sobre todas as mulheres — pequenas, fortes, transgênero, mulheres em cadeiras de rodas, de todos os tons de pele, em forma, magras, com sardas, mulheres com deficiências – TODAS merecem se sentir bonitas”, disse Khrysty ao site Yahoo.

Imagem: Holly Grace Jamili

O primeiro desfile aconteceu em dezembro de 2017 e, de acordo com a organizadora, nem tudo ocorreu como planejado e muitas modelos que foram convidadas não puderam comparecer. Mas Khrystyana não desistiu e, em julho de 2018, conseguiu montar mais uma edição do evento.

Dessa vez, em Londres, o desfile foi um sucesso e mais ou menos 115 modelos desfilaram usando maiôs e lingeries. “Existem pessoas que não usam maiôs e biquínis há 20 ou 30 anos e hoje, hoje foi o dia delas, e elas se sentiram confiantes, se sentiram sexy, se sentiram bonitas”, Khrysty contou à BBC News.

Imagem: @khrystyana

Agora, de volta à Times Square, o evento se tornou o maior entre as 3 edições. A modelo convidou diversas pessoas e, como ela não quer criar um casting competitivo como o de várias marcas, todos que quiseram fazer parte puderam desfilar. No final, quase 200 pessoas participaram!

Além disso, pela primeira vez ela teve apoio de diversas marcas que se identificaram com a mensagem body positive do evento. Marcas como Swimsuits for All, Woman Within e Roaman’s disponibilizaram maiôs, biquínis e lingeries para as modelos.

Imagem: Astrid Stawiarz/Getty Images

Você pode perceber que as duas edições de dezembro aconteceram perto das datas de transmissão de outro grande evento da moda, o Victoria’s Secret Fashion Show, e isso não é coincidência. Uma amiga de Khryst achou que seria uma ótima ideia programar o evento perto de um desfile que mostra um padrão quase surreal de beleza.

Modelo Jari Jones. Imagem: Holly Grace Jamili

E este ano o desfile na Times Square foi ainda mais importante, após diretor de marketing da Victoria’s Secret declarar em uma entrevista que não pretende incluir modelos plus size e transexuais no show, porque o público não estaria interessado e o desfile representa uma “fantasia”.

Jari Jones, uma das modelos transexuais que fez parte da Real Catwalk, disse em entrevista que o desfile é muito importante pois mostra que todas as pessoas merecem respeito e amor. “Ele é uma declaração pública de que mulheres trans e plus size estão, com certeza, entre as mulheres consideradas bonitas. Nós somos, sem dúvida, parte da fantasia.”, declarou a modelo.

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