“Fui na China-na, Saber como era a China-na”

Morar na China foi uma das decisões mais absurdas que tomei na minha vida. 

Absurdo, do latim absurdus, pode atuar como um substantivo quando se refere ao contrário ao bom senso e racionalidade.

E me diga você, quem, com o mínimo de bom senso aceita viajar sem aviso prévio á um dos países mais curiosos e longínquos que se poderia pensar?

Racionalidade nunca foi meu forte mesmo.

Destemida e armada de esperança até os dentes, eu fiz minhas malas e embarquei para a viagem que mudaria minha vida. 

Minha experiência na China!

Cheguei em casa com a notícia, deixando todo mundo de cabelos para o ar.

Em 5 dias eu estaria embarcando para a terra do dragão.

Não foi preciso muita coragem, quando você tem grandes sonhos, eles andam por você a passos tão largos, que quando você menos espera, você nem sabe mais como ficar parada. 

E a passos de gigante, eu corri atrás dessa oportunidade. 

A China de 9 anos atrás, pouco se parece com a China de hoje em dia.

Guangzhou, onde vivo atualmente.

É claro que não falo de sua economia, que há muito tempo não é nada tímida, mas falo da estrutura das grandes cidades que possibilitam a qualquer estrangeiro desfrutá-la como se estivesse quase em casa. 

Quem veio para a China e não imitou galinha para conseguir comprar ovos, na verdade não conheceu nada.

Comer de palitinhos e usar a latrina eram fichinhas perto do que vivíamos no dia a dia.

E foi entre mímicas e frustrações que eu aprendi a amar um dos países que mais me abraçou no mundo. 

Posso dizer que meu relacionamento com a China é de amor e ódio, porque entre abraços amorosos, já levei umas surras danadas.

E posso dizer que nunca sofri um choque cultural tão grande.

Desde o idioma, até a gastronomia. Não há quase nada que possa te confortar. Faltava o cheiro do feijão com arroz da avó, faltavam os abraços apertados dos amigos, faltava ir comprar doces na padaria da esquina e mais importante que tudo, saber ir e voltar. 

Faltava a rotina doce dos fins de semana em família, mas sobravam as oportunidades de lutar e se realizar.

E me agarrando ao que eu tinha, lembrando da luta de todos que eu amava, eu sabia que havia de ficar.

Como num flash, passaram-se 9 anos.

Aqui eu construí uma história e uma família.

Aqui, eu sinto mais do que em nenhum lugar que estou cumprindo uma grande missão.

Morar na China é exercitar todos os dias a minha tolerância e paciência. 

A China me fez um ser humano melhor.

A China te dá o mundo e te mostra que você não é nada.

Algumas vezes te engrandece, já outras te faz sentir pequenininho.

Aqui, onde tenho tantas limitações, eu me sinto livre. 

Entre tapas e beijos, hoje a China tem cheiro de lar, e a marca que esse país tão incrível deixou em mim, nada poderá apagar. 

Dizer que moro na China sempre vem carregado de muito orgulho, já que ninguém pode negar que é de fato, um absurdo. 

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