Às vezes, podemos esquecer que beleza vai muito além de ter uma pele perfeita. É isso que o fotógrafo Peter DeVito, de apenas 21 anos, quer provar para todos em seu projeto fotográfico.

Peter conta em entrevista ao site i-D que teve, durante boa parte da vida, acne no rosto. Já na adolescência, isso afetou negativamente a forma como ele se relacionava com outras pessoas e também sua saúde mental.

Durante a faculdade, quando seu caso de acne piorou, Peter teve a ideia de fotografar o próprio rosto para normalizar esse “problema”. Então, ele decidiu começar um projeto que mostrava modelos com acne, inclusive ele mesmo, e falar sobre o preconceito que eles sofriam de uma forma interessante e artística.

Após postar as primeiras imagens sobre acne, ele recebeu mensagens de pessoas com outras condições de pele pedindo para que ele fizesse um trabalho com que eles também pudessem se identificar.

Assim, para sua série de fotos mais recente, ele procurou modelos no Instagram e em agências que tivessem acne, vitiligo, albinismo, sardas e marcas de nascença e que quisessem fazer parte das fotografias e compartilhar suas histórias.

“Antigamente, a piada era “você é tão branca que parece um fantasma”. Eu tinha apelidos como Gasparzinho ou Branca de Neve. Isso sempre me incomodou, porque eu sabia que, independente da minha pele, eu sou negra”. Diz a modelo Diandra Forrest.

Cada imagem, publicadas no Instagram do fotógrafo, vem acompanhada com uma frase ou palavras estampadas no rosto do modelo, que são comentários que essas pessoas ouvem constantemente ou que ficaram marcados em suas memórias. Depois, os modelos também escrevem pequenos depoimentos, respondendo às perguntas estampadas no rosto.

“O que você tem no rosto?”

“Minha marca de nascença não me define. Minha marca de nascença não me torna feia. O que eu tenho no rosto não deveria importar”. Escreveu a estudante Amber.

Sobre as frases e palavras estampadas nos rostos, Peter disse que se sentiu atraído por este conceito, porque queria mostrar que as palavras que usam para rotular e intimidar essas pessoas não as definem.

Ele também conta que sente falta de representatividade na indústria da moda e queria dar um espaço para que essas pessoas contassem suas histórias. “Meu objetivo com este projeto é empoderar mais pessoas e ajudar a normalizar estas condições de pele”, disse Peter à Teen Vogue.

“Ninguém vai casar com você com essa pele”

“Ter vitiligo me ensinou muito sobre mim mesma e o que “beleza” significa de verdade. Eu me amo apesar do vitiligo e se você não consegue, então você não me merece”. Diz a modelo Amy Deanna, em seu depoimento.

Apesar da indústria da moda ainda se mostrar muito fechada para essas modelos, ela vem mudando muito nos últimos tempos. Por exemplo, Winnie Harlow será a primeira modelo com vitiligo a desfilar para a marca Victoria’s Secret ainda este ano.

Peter espera mudar essa exclusão com suas fotografias e que o projeto ajude as pessoas a perceberem que é preciso incluir modelos com peles diferentes. Afinal, quanto mais essas diferenças forem incluídas, mais isso se tornará normal na indústria e na sociedade.

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