Hoje, ela tem 54 anos, é bem casada e tem dois filhos. Maria Grazia Chiuri, essa italiana nascida em Roma em fevereiro de 1964, pode não ser ninguém na fila do pão para você. Mas vou te dar uma referência bem bacana – sabe os vestidos “muso” que a Marina Ruy Barbosa usava de vez em sempre e que nos fazem suspirar e sonhar com olhos abertos? Pois então: na maioria das vezes eram criações dela, com seu parceiro na Valentino, Pierpaolo Piccioli.

Marina Ruy Barbosa em criações “humildes” da Maison Valentino – trabalho de Maria Grazia Chiuri
Fonte: Revista Marie Claire

Começou a gostar de moda ao ver a mãe trabalhando

O primeiro contato de Maria Grazia com a moda foi através de sua mãe, que tinha uma pequena oficina de costura.

Depois o seu encanto foi aumentando a cada edição da Vogue (a bíblia da moda em todo o mundo) que lia. Num piscar de olhos, ela estava garimpando achados em uma feira de Roma chamada Porta Portese.

Pra vocês terem uma ideia, é como se você misturasse a Feirinha da Meia Noite do Brás + calçadão de Alcântara + Largo General Osório em Ipanema.

Ficou confuso? Pois é assim mesmo. Foi ali que Maria Grazia sacou que o seu sonho era trabalhar com moda, decidiu estudar o assunto no Instituto Europeo di Design e logo começou a trabalhar para importantes casas, como Fendi e Valentino. Nessa última, ficou por mais de 20 anos, sendo a responsável por criações de modelos antológicos como os que vimos na Marina.

Mais um pouquinho das criações da Maria Grazia para vocês.
Fonte: Maison Valentino

Conseguiu se destacar em um mundo extremamente competitivo, e tendo um colega super talentoso ao seu lado

Desde julho de 2016, há pouco mais de dois anos, Maria Grazia é a diretora criativa da Dior. É quem manda no pedaço. E esse fato deve ser celebrado com toda a pompa e circunstância. Afinal de contas, não é todo dia que uma mulher chega ao posto de manda-chuva de uma das mais importantes grifes do mundo. E mais curioso ainda é que, neste mercado onde as mulheres respondem pela maior parte das consumidoras, e claro, do dinheiro gasto, que um número tão pequeno delas alcance este cargo tão importante. Isso é desanimador.

É a primeira mulher a ocupar o posto mais importante da Dior em mais de 70 anos de história

Indo um pouco mais adiante, e falando apenas da Dior, o fato é ainda mais marcante: ela é a primeira diretora criativa da Maison em mais de 70 anos de história. Ela conseguiu se destacar em um mercado extremamente competitivo, mesmo tendo um parceiro de trabalho tão talentoso quanto ela ao seu lado. Ou seja: uma bela inspiração.

Trabalho no ateliê Dior em Paris
Fonte: Financial Time

Não tem medo de criar polêmica

Sua primeira coleção fez muito barulho. Principalmente por conta das camisetas com a frase “We should all be feminists”, que em uma tradução livre seria “Todos nós deveríamos ser feministas”, título de um livro da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Era o seu recado. Queremos direitos iguais, oportunidades iguais, somos talentosas e merecemos o nosso espaço. Ok, abafa que o preço da camiseta aqui no Brasil ficou em torno de R$ 4 mil, e não tinha nada de diferente se comparada com um modelo da Taco.

Rihanna e Isis Valverde usando a famosa camiseta
Fonte: Revista Elle

Ok, Dior, Valentino, Fendi, tudo pode ser um pouco distante para nós, reles mortais e que parcelamos as nossas contas em reais. Mas eu me lembro até hoje de um episódio do American Next Top Model (entregando a minha idade, #beijoTara), em que uma das provas que dava uma certa vantagem às candidatas era pronunciar corretamente o nome das grifes mais famosas do mundo. Conseguem imaginar o resultado? Ninguém acertou. E isso vale como lição – se um dos seus objetivos é ser notada no meio da multidão, uma coisa sempre faz a diferença: conhecimento. E se espelhar em bons exemplos e ter uma mulher como Maria Grazia Chiuri como inspiração pode ajudar mais um pouco.

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