A indústria da moda avança cada vez mais, buscando incluir diversas pessoas que antes eram minorias em campanhas, revistas e projetos. Mas, no meio dessas campanhas, que mostram mulheres e homens fora dos padrões, ainda há um grupo pouco representado: pessoas com deficiência.

Pensando nisso, a estilista Michele Simões criou o projeto “Meu corpo é real“, que visa mostrar para a indústria da moda que pessoas com deficiência também são consumidores e, por isso, devem ter voz e representatividade. 

Michele Simões idealizadora do projeto. Imagem: @ micsimoes

Tudo começou quando Michele sofreu um acidente de carro, em 2006, que fez com que ficasse paraplégica. “Eu costumo dizer que adquiri um combo: eu ganhei uma cadeira de rodas, eu ganhei um símbolo de deficiente e uma série de títulos”, disse durante sua palestra no programa TED Talks.

Cansada dos rótulos que outras pessoas colocavam na sua condição, decidiu fazer um intercâmbio para um país com maior acessibilidade, para saber quais eram suas verdadeiras limitações.

Durante a viagem, observou que o maior problema na sociedade, na sua opinião, era a falta de preparo e conhecimento que outras pessoas tinham na hora de lidar com a deficiência.

Imagem: Reprodução

Então, Michele decidiu compartilhar sua realidade com os outros, tentando quebrar estereótipos de superação ou pena atrelados aos deficientes. “Se eu quisesse fazer com que as pessoas me olhassem de uma maneira diferente, eu deveria começar a apresentar minha realidade para elas”, contou a estilista.

Com sua formação em moda, montou o projeto “Meu Corpo é Real”, em 2016, focado em dar voz aos consumidores que, assim como ela, não encontravam representatividade na indústria.

Letícia Guilherme em ensaio fotográfico para o projeto

Por exemplo, imagine entrar em uma loja e ter apenas roupas de criança como opção, pois as roupas para adultos não foram pensadas para alguém com deficiência. Esse é o problema de Letícia Guilherme, uma das participantes do mini documentário # MEU CORPO É REAL, umas das primeiras criações do projeto.

“Os deficientes são sempre restritos aos mesmos papéis. Ou é uma superação, ou é uma reivindicação, ou é uma pena. E a gente é muito mais do que isso”, conclui Michele no documentário, que se passa durante um ensaio fotográfico. 

Imagem: Reprodução

De acordo com a estilista, a própria indústria da moda não faz ideia do que ela representa na vida dos deficientes. Ela conta, durante a palestra, que se lembra do momento em que, após muitas tentativas, conseguiu se vestir sozinha pela primeira vez: “o pertencimento e a aproximação com o meu corpo que aquilo gerou foi muito gratificante”. 

Além de oferecer consultoria de estilo e ações para empresas, o “Meu Corpo é Real” também criou o Fashion Day Inclusivo, um workshop sobre moda e beleza realizado em hospitais de reabilitação que leva conhecimento às mulheres deficientes, para que também possam ter independência ao se maquiarem e se vestirem.

Atualmente, o projeto está na quinta edição e recebe estudantes como voluntários e parceria com empresas, uma relação importante para mudar o futuro da moda, na visão da criadora.

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