A convidada para a seção de inspirações da Rio Magazine nesta semana é a talentosíssima maquiadora, geóloga, empreendedora, Helena Macêdo!

Diretamente do Rio Grande do Norte, vamos conversar um pouquinho com essa mulher que balança a cena da beleza da cidade de Natal com sua equipe expert em make-up e cabelo!

1. Helena, nos conte um pouquinho sobre você! Abra o coração!

Tenho 28 anos e nasci em Natal. Além de maquiadora, sou geóloga e turismóloga de formação.

Aos 21 anos, eu já tinha trabalhado como vendedora em lojas de roupas, de maquiagem, já havia sido hostess em restaurantes, garçonete em tabacaria e café, caixa de lotérica e até já trabalhei vendendo sanduíche natural na praia de Pipa.

Isso tudo pra dizer que sou essa pessoa versátil

Que ama as cores, mas que também se encantou pelas rochas e microfósseis, sem deixar de trabalhar com o que ia aparecendo.

Sou workaholic confessa e muito determinada.

Todos esses bicos que ia pegando tinham um propósito maior em minha carreira. Atualmente, além de empresária e maquiadora, tenho um brechó online, o @gaobrecho, em parceria com Luíza, minha irmã. A gente viaja e garimpa peças legais para expor ocasionalmente para o público de Natal.

Isso é literalmente um hobby que virou trabalho.

Quando viajo, eu amo passar horas do meu dia só garimpando peças vintage e diferenciadas.

O bom de ter meu próprio negócio hoje, é que mesmo muito presa à uma responsabilidade enorme de sustentar um negócio, tenho uma certa liberdade de fazer minha agenda e, sempre que dá, poder fazer mais do que gosto: viajar, dar um pulo em Pipa, jantar com amigos, curtir a família etc.

Helena Macêdo, empreendedora e criadora do estúdio @helenaquefez

2. Sabemos que você é uma grande maquiadora em Natal, como foi o início de sua carreira e como chegou onde está?

Maquio profissionalmente há 10 anos.

Agradeço ao universo pelo dia em que um amigo fotógrafo me viu maquiar umas amigas e me convidou para trabalhar com ele, que também estava no comecinho da carreira.

Eu cobrava R$20,00 para fazer duas maquiagens ao longo do ensaio, que durava cerca de 6 a 7 horas.

Íamos para duas locações, no calor escaldante de Natal.

Naquela época eu só tinha um estojinho pequeno de sombras e o básico do básico de outros ítens.

Até hoje damos muita risada quando lembramos que as clientes precisavam levar a própria base e pó, pois a gente não tinha grana nenhuma para investir em material e não achava justo errar no tom.

As clientes curtiam muito e aí surgiu o link de começar com atendimentos a domicílio.

Eu não dirigia, mas chegava em todas as casas no horário marcado!

Sempre fui comprometida com horário.

O sorriso mostra que ela está fazendo o que ama! @helenaquefez

Natal é uma cidade pequena e logo fui convidada por uma produtora de vídeo para maquiar políticos em campanha.

No ano seguinte, em 2010, uma maquiadora de São Paulo alertou minha prima que eu deveria fazer um curso lá, pois tinha talento. Minha prima abraçou a ideia e me acolheu em sua casa por 6 meses.

Estudei no SENAC Lapa Faustolo, unidade voltada para Moda e Beleza, com a grana que havia juntado no verão, da venda dos sanduíches de Pipa, lembra?

Para me manter lá, trabalhei com muitos bicos. Voltei para Natal para continuar a faculdade de Geologia e maquiar paralelamente aos estudos. Me sentia muito mais preparada e já via a necessidade de ter uma parceira que fizesse cabelo, o que agregou valor ao meu trabalho.

Não tinha celular que batesse foto para divulgar, foi o boca a boca que me fez ter sempre a agenda cheia.

Em 2014 fiz intercânbio de um ano em Budapeste e já perto de voltar, louca de saudade de exercer minha profissão, criei minha marca @helenaquefez no instagram para anunciar que estaria de volta ao Brasil.

Voltei em um domingo e no sábado seguinte eu já tinha clientes marcadas!

Lembro de em um dia ter maquiado 16 pessoas, começando às 6h e finalizando a 1h do dia seguinte.

Isso me marcou muito, pois foi quando me dei conta que havia chegado a hora de atender em um local fixo.

O primeiro Studio @helenaquefez nasceu de uma parceria com uma amiga que tinha uma loja de roupas e me permitiu colocar uma mesa e duas cadeiras para aquecer suas vendas e de quebra poder me ajudar.

Em poucos meses me capitalizei e consegui me mudar para uma salinha em um espaço colaborativo junto com minha colega de profissão e da vida, que faz cabelo até hoje comigo.

Passado um ano, vi que não estávamos dando conta da demanda crescente de clientes e precisávamos de boas parcerias para atender a clientela exigente de Natal.

Nasce aí o Studio que tenho há 2 anos, um lugar ainda pequeno, mas muito acolhedor, liderado por mim, mas regido com apoio de 8 profissionais maravilhosos. A vibe de lá é muito boa!

Por Helena Macêdo @helenaquefez

3. Qual seu maior sonho ? Em termos profissionais e pessoais.

Meu maior sonho é poder fazer mais diferença na vida das pessoas através do meu conhecimento.

Seja ensinando, seja lançando tendência, empoderando outras mulheres.

Poder ser um instrumento para amenizar essa ditadura da beleza que suportamos, ainda que minimamente.

Acho que precisamos parar de nos massacrar! Sonho também em ser convidada por grandes marcas, assinar beleza de desfiles, assim eu teria liberdade para criar, podendo ter uma carreira até internacional.

No âmbito pessoal, me imagino muito realizada sendo mãe, uma super mãe! Só não sei como conciliaria isso com minha profissão. Talvez esse seja O MAIOR sonho e conquista.

Por Helena Macêdo @helenaquefez

4. Além de maquiadora, empresária, você é geóloga, não é mesmo? Como foi esse processo de largar sua “profissão universitária” e se jogar em seu verdadeiro sonho?

Respondo à essa pergunta semanalmente e antes de te explicar, preciso dizer que isso ainda choca as pessoas porque somos uma sociedade que preza por status.

Em Natal, por ser uma cidade “provinciana”, o preconceito é ainda mais forte!

Como hoje o mercado de beleza está super em alta e eu sou 100% auto-suficiente com minha profissão, sinto menos, mas posso dizer que vivenviei  bem essa quebra de estigma dos profissionais de beleza.

Nós profissionais deixamos de ser vistos apenas como meros funcionários de um salão, para entrar pela porta da frente da casa de madames, somos amigos íntimos de famosos, temos nosso próprio espaço na internet para falar não só de maquiagem, etc. 

Não que isso signifique algo para mim, mas faz parte de um processo de desconstrução.

Mas, vamos ao ponto… A Geologia passava por uma crise no país, dificilmente eu conseguiria um emprego na área. Era a desculpa perfeita para dar aos meus pais, que também tinham preconceito. Minha orientadora do TCC me sugeriu seguir no mestrado e conciliar com a maquiagem, com chance de morar uma temporada em São Francisco (única parte muito tentadora desse processo).

Eu queria abraçar o mundo com as mãos, seguir nas duas áreas, mas em Budapeste eu me dei conta que já era hora de me concentrar em uma coisa só e me jogar, ir em busca de ser o melhor que eu pudesse naquilo: sem dúvida meu coração pulsava muito mais pela maquiagem! 

Foi muito fácil escolher porque eu já sabia o que amava!

Posso dizer que a única dificuldade foi pensar na segurança financeira que a Geologia poderia me dar, pois a situação da minha casa nunca foi fácil. Óbvio que, embora compreensível, era um receio bobo, pois um maquiador pode ganhar infinitamente mais que um geólogo!

Make da Helena na competição Colour Trophy 2018. O tema da vez foi o estilo da mulher parisiense. Ela apostou na pegada do “menos é mais” para a maquiagem, sem esquecer da tendência glossy. 

5. Vivemos tempos onde as mulheres estão ganhando cada vez mais voz e se empoderando. Como você vê o papel da maquiagem neste meio?

Maquiagem de fato ajuda na aceitação, na auto estima.

Mas acho delicado pensar em empoderamento e em maquiagem como ferramenta necessária, e não opcional.

Se a gente pára pra pensar no quanto somos bombardeadas com moldes de beleza no nosso dia a dia a gente pira!

Acho que a palavra aqui é desconstruir essa cultura de beleza disseminada por tutoriais. Isso não significa que se você se sente mais bonita com olho preto e cílios postiços você não deva usar, somente porque ser natural que é ser cool. Não é isso! Do contrário estaria apoiando uma ditadura da beleza da qual eu recrimino.

Só acho que não é legal quando colocam na nossa cabeça que só somos bonitas tapando todas as imperfeições com maquiagem, tentando mudar quem somos.

Eu mesma já me senti assim e acho que estou lidando hoje com um processo delicado de descontrução nas minhas clientes!

Não é legal você achar que porque você fica bem de batom vermelho, a colega também vai ficar.

E, principalmente, não é legal quando você acha que o que cai bem em você é advindo de uma opinião masculina.  

Por Helena Macêdo @helenaquefez

6. Para a mulherada que sonha em uma carreira como a sua, o que você sugere, dicas inspirações?

A dica principal que dou é tratar a cliente como você gostaria de ser tratada.

Vez ou outra me chamam de “boazinha demais”, mas discordo.

Uma cliente fiel é algo precioso!

Ela vira sua admiradora e te indica pra muita gente!

  • Jogue limpo sempre, assim como qualquer pessoa que você se relacionar da área.
  • Seja honesto sobre sua disponibilidade de horários. Caso não consiga atender, indique uma colega para quebrar o galho de sua cliente. Você evita um transtorno e sua gentileza faz a cliente voltar pra você! Caso não volte, cedo ou tarde a colega vai retribuir o favor e isso gera uma rede de trocas maravilhosa na carreira.
  • Ter boas relações com profissionais da área é muito importante!
  • Mantenha-se sempre atualizado sobre tendências e produtos. Depois que você domina a técnica e sente confiança no que faz, o seu melhor amigo vai ser aquele produto diferenciado que você usou e fez ela amar a produção toda, só por causa de um detalhe!
  • Investir em conhecimento e fugir da zona de conforto também é essencial. O visagismo deve ser praticado o tempo todo na maquiagem, a partir do momento que você bate o olho na cliente.
  • Seja sensível a isso e respeite sempre o estilo de cada uma.
  • Procure seguir profissionais que te inspiram e, vez ou outra, tente reproduzir um trabalho deles, você pode se surpreender com seu potencial e criar muito mais!
  • Lembre-se da máxima “dividir para multiplicar” e reconheça quando você não conseguir mais atender à demanda, fazendo questão de ter profissionais igualmente comprometidos.

Entrevista concedida à Rio Magazine, com Helena Macêdo (@helenaquefez)

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