Paola é uma brasileira vivendo sem fronteiras. Há 4 anos, ela e o marido, largaram seus empregos estáveis, fizeram as malas e embarcaram para o outro lado do mundo, para desenvolver projetos com refugiados, pessoas perseguidas por conta de sua fé e assim transformar a vida de muitas pessoas.

Mas vamos voltar um pouco ao início dessa história

Paola nasceu na cidade de Niterói em 1985, onde morou até seus 3 anos de idade, quando a família se mudou para São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. Naquela época o cenário de pobreza e violência já predominavam na cidade, mas Paola relembra que teve uma infância muito boa, sempre brincando na rua, mas sofrendo bastante bullying dos coleguinhas da escola por ser negra e muito magra.

A falta de representatividade negra

Durante a infância de Paola, o sonho de toda garota era ser uma paquita. Com o fenômeno da Xuxa e a falta de representatividade na tv e nos meios de comunicação, não havia espaço para pele e cabelos negros. Nós cobríamos a cabeça com um pano fingindo que era o nosso cabelo liso, assim como as paquitas, conta Paola.

Ela cresceu em um meio onde ajudar ao próximo era algo muito natural. Desde pequena estava envolvida com serviços voluntários e atividades sociais em asilos, hospitais e igrejas.

Nos dois primeiros anos da faculdade, Paola trabalhava de meia noite às seis da manhã em um call center para pagar os estudos. Foi na faculdade que ela conheceu seu companheiro, Raphael Florenciano. Mal sabia ela que mais tarde eles estariam juntos na Tailândia comandando um projeto transformador em comunidades locais. Paola e Raphael têm um filho que nasceu na Tailândia em 2016, o João Lucca.

João Lucca

Voluntariado é uma escolha de vida

Quem sou eu? Qual o meu papel na sociedade? Quais são meus propósitos?
Em um certo ponto, essas perguntas começaram a se tornar cada vez mais frequentes na cabeça de Paola.

A graduação em Relações Internacionais, o domínio do idioma inglês, o gosto por política e projetos sociais, a vontade de sair para ajudar outras pessoas, parece que tudo era um motivo para o casal sair do Brasil e explorar novas oportunidades.

Hoje

O casal mora na Tailândia e é responsável por estabelecer o escritório da ONG MAIS no sudeste asiático. Lá eles coordenam negócios sociais e trabalham diretamente com refugiados.

“Amo minha atual profissão, é vocação mesmo!” – Paola

“Sonho com um mundo onde a justiça e o amor sejam o equilíbrio de todas as ações. Um mundo de igualdade para todos. Parece um sonho inocente, mas é muito real. Aprendi a duras penas o que é ser preterido por questões sociais e raciais. Mas se eu quero um mundo melhor, que comece a partir de mim. O discurso precisa virar ação.”

Paola e equipe com familia refugiada – Identidade protegida

“Me considero um liquidificador ambulante!”

Paola é tanta coisa. Já foi modelo e fotógrafa. Ela canta, escreve, ensina, atua. Ela não tem medo de mudanças e ama desafios.

“Só pela quantidade de cortes e tipos de cabelo que já tive, acho que você pode me entender! “

Por fim, a Paola aceitou o desafio de participar da Coluna da Rio Magazine, o desafio de conectar milhões de pessoas através da nossa revista.

Paola Florenciano diz:

A Rio Magazine é uma revista que nasce de uma história de vida de uma garota que cresceu no Lixão de São Gonçalo, que foi achada em um desfile de Miss Piscina e virou uma modelo internacional! É uma revista que fala de moda cheia de conteúdo bom, que tem raiz! Quem faz essa revista é uma porção de mulheres que são super talentosas e que abraçaram as oportunidades da vida com muita força!”

Eu tenho um desafio grande aqui. O desafio de compartilhar,  de falar sobre a vida e o que dá sentido a ela, de escrever historias e ouvir outras.

Quero compartilhar dores, anseios, questionamentos da nossa sociedade e também nossos questionamentos pessoais. Vamos falar sobre responsabilidade social, mas também sobre nossos erros, nossos medos, alegrias e superficialidades (porque a superficialidade também faz parte da vida). Quero aprender errando e não tenho pretensão de ensinar nada, mas se eu puder ajudar alguém, já vai valer a pena!

Muito obrigada pela convite e oportunidade Rio Magazine! Muito obrigada você leitor, que faz isso tudo possível!

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