Vai morar fora? Você precisa saber sobre Choque cultural!

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Se você acabou de se mudar para um outro país ou está planejando fazer essa mudança, você precisa saber sobre Choque Cultural. Eu passei por ele e foi devastador! Ele pode ser um vilão, mas sobretudo é muitas vezes um mal necessário. 

Mas o que é Choque Cultural?

Choque cultural pode ser definido como a dificuldade que as pessoas têm para se ajustar a uma nova cultura diferente da sua cultura de origem. É um processo de transição e adaptação. Se você fizer uma pesquisa rápida no Google, vai achar muito material bom que pode te explicar mais sobre o assunto. Eu quero aqui encorajar você a passar pelo choque e não desistir do seu sonho, projeto ou vocação.

Fases do Processo de Adaptação Cultural

O choque é um mal necessário. Ninguém passa por ele ileso, mas pode ter certeza que ao passar por ele, você vai crescer muito como ser humano. Vai passar a ser mais tolerante e paciente com o diferente.  O processo de transição cultural passa por algumas fases que eu intrusamente resumi em três:

Fase 1 – Lua de mel

Essa é a fase da fascinação com o mundo novo que está sendo descoberto. Ficamos com um olhar extremamente romântico sobre tudo e todos. Geralmente ficamos assim em viagens de curto prazo. Se vamos passar somente alguns dias, não dá para ter tanto contato com a cultural local, e mesmo se tivermos muito contato, foi só um momento que não vai afetar nossa vida cotidiana. Por isso é dado o nome de Lua de Mel. Tudo é lindo, maravilhoso, interessante e exótico para nós.

Fase 2 – Realizando a Realidade

Nesse período, as diferenças entre as culturas se tornam mais evidentes. É nessa fase que as pessoas entram em choque, literalmente falando. Elas se sentem sozinhas, passam por problemas sérios como a depressão e muitos acabam desistindo de ficar no lugar onde estão, porque não conseguem ultrapassar as barreiras que são impostas pelas diferenças culturais, linguísticas e sociais.

Fase 3 – Aceitação

Acontece quando começamos a aceitar as diferenças culturais e nos adaptar a elas. Existem dois principais pontos de aceitação: A assimilação, que ocorre quando assimilamos a outra cultura a ponto dela fazer parte de nós e do nosso cotidiano ou a tolerância, quando até não aceitamos completamente os pontos culturais diferentes, mas os toleramos.

O que aconteceu comigo…

Na verdade eu estava negando o choque cultural! E é nessa fase que mora o perigo! ”

Descobri que entrei no “choque”, quando estava andando pelas ruas de Chiang Mai na Tailândia, e comecei a odiar situações do cotidiano como: a forma como tailandeses dirigem seus carros e motos, o sorriso asiático perturbador, pedir comida sem pimenta e o prato vir nadando na pimenta dedo de moça, os cachorros soltos na rua que avançam em todos que passar, o cheiro das ruas. Enfim, um sentimento controverso e muito verdadeiro. 

O meu maior problema foi perceber que tinha algo errado comigo e não fazer nada para solucionar o que estava acontecendo. Na verdade eu estava negando o choque cultural! E é nessa fase que mora o perigo! Pequenas dificuldades e barreiras se desenvolvem para grandes problemas que vão se acumulando dia após dia! Começamos a desenvolver problemas que começam com frustração, impaciência, dependendo do contexto desenvolvemos medo, e esses problemas vão nos gerando outros maiores como ansiedade, inquietação, irritação, depressão.

Nessa fase, pessoas que foram morar fora para conquistar novos horizontes desistem de seus sonhos e projetos, voltam pra casa extremamente debilitados emocionalmente, famílias são destruídas e relacionamentos com pessoas locais são quebrados!

O que fazer para passar pelo choque cultural da melhor forma possível?

Primeiro Passo: Se auto avalie. Você precisa identificar em que fase do choque cultural está e criar mecanismos para passar pela pior fase do choque.

Se você consegue se avaliar isso já é um grande passo para o sucesso! Mas se você acha que não consegue fazer essa auto avaliação, busque ajuda de algum psicólogo, terapeuta ou de algum estrangeiro que já esteja vivendo no lugar há bastante tempo.

No meu caso, eu percebi que estava negando o choque cultural no auge da fase mais negativa! Então a primeira coisa que fiz foi parar de negar e começar admitir que estava sim no choque cultural. Isso não deve ser nenhuma vergonha. É uma fase que a maioria das pessoas que moram fora acabam vivendo! 

Segundo Passo: Se relacione mais com a cultura local.

Eu por exemplo, sentei com bastante gente e perguntei “os porquês” de cada coisa que me deixava profundamente irritada. Busquei entender a “cosmovisão” do povo e comecei me relacionar cada vez mais com as pessoas locais. Estudei Tailandês também! Eu estava na busca pela empatia, pelo entendimento do diferente.

Por incrível que pareça isso foi crucial! Em alguns meses estava começando a me adaptar, a rir das coisas que me irritavam, a enxergar injustiças que de fato acontecem, mas entender suas raízes e causas mais profundas!

Independente do que você está buscando fora do seu país e que tipo de trabalho e vida tem, você possivelmente passará pelo choque cultural. Não tenha medo de viver essa fase, ela será importante para o seu amadurecimento profissional e pessoal. 

Se na fase mais critica do choque cultural você estiver com muitas dificuldades, não deixe de buscar ajuda profissional! E se você não conseguir se adaptar, não tenha vergonha de voltar, não ultrapasse seus limites. Mas antes de tudo, tente!

Uma notícia muito boa para você, o choque cultural passa! Dê tempo ao tempo.

2 COMENTÁRIOS

  1. Adorei o relato; e apesar de ser muito adaptável e ter muita vontade de ir para outro país,as vezes me sinto um pouco insegura. E estou em uma nova fase da minha vida onde estou tendo que ter coragem, enfrentar as mudanças e não resistir!
    Obrigada

  2. Adorei o relato; e apesar de ser muito adaptável e ter muita vontade de ir para outro país,as vezes me sinto um pouco insegura. E estou em uma nova fase da minha vida onde estou tendo que ter coragem, enfrentar as mudanças e não desistir!
    Obrigada

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