Estamos na semana da hashtag #fashionrevolution!

Mas você já ouvi falar em Fashion Revolution?

Talvez muitos de vocês ainda não estejam familiarizados com essa nova linha fashion, mas o objetivo por trás deste movimento é ter mais responsabilidade por aquilo que usamos e valorizar mais aqueles que criam as peças.

Por trás dos maiores nomes de marcas do mercado da moda existe uma exploração absurda de mão de obra barata responsável por trazer os produtos até os nossos guarda roupas.

Infelizmente, roupas baratas ocupam espaço do nosso guarda-roupa graças a exploração de seres humanos que se dedicam a essa indústria trilionária em troca de algo para comer no fim do dia.

Aproveitamos a fragilidade desses seres humanos para estar na moda em todas as estações do ano.

Por favor pague meu salário!
Protesto dos trabalhadores da fábrica da H&M em Sri Lanka

É um ABSURDO a gente ter que agradar o mundo a todo momento, um mundo que gira tão rápido, e onde temos que trocar de roupa a cada segundo e as jogar fora logo em seguida porque a cada giro é um clique – e ser clicada com o mesmo look é pena de morte na área da moda! A que ponto chegamos?

Hoje não estou dividindo só a questão #quemfezminharoupa mas também como estão sendo tratados quem as fez?!

Meu pullover da H&M

Esse foi um dos últimos itens que adquiri em umas das maiores lojas de departamento do mundo.

Esse pulover é da H&M e eu paguei nele o valor de 19,90 euros no inverno passado, não sei até quando esse modelo ou essa cor vão estar na moda, mas pretendo usar ele por muito tempo. E nessa mesma foto eu comprei essa bolsinha do Project Três num valor acima do que estou acostumada a pagar, mas feliz em poder saber quem fez, e quem a fez esta sendo muito bem tratado.

Essa é a Rajesri – quem fez a minha bolsa 🙂

É claro que o valor desse tipo de peça (barata) chama nossa atenção e é compreensível que muitas pessoas sem condições financeiras acabem sendo consumidoras deste tipo de indústria. Infelizmente, um produto fabricado sem agredir outros seres humanos ainda custa muito caro.

Me sinto uma louca vegetariana que faz dieta, é alérgica a glúten e ainda tem intolerância a lactose, quando o assunto é comprar roupas…

Tenho que ler o rótulo pra saber como o produto está sendo feito, se é testado em animal? Qual a matéria prima? Quem fez? De onde vem? São pessoas bem tratadas?

Eu entro nessas lojas de departamento pedindo perdão a todos os envolvidos e compro aquela peça acessível no bolso, mas muito cara karmicamente falando. O problema não é fazer isso de vez em quando, mas sim renovar o guarda-roupa nessas lojas a cada 3 meses. A cada estação do ano consumir, consumor moda, dinheiro, a vida de outras pessoas, que fabricam essas roupas por quase nada, pelo medo de passar fome.

Isso é um apelo, um apelo para nossa consciência, um alerta para o que estamos plantando.

Mulheres que sofrem violência domestica sendo beneficiadas pelo Project Três na India.
Reparem como estão felizes!

Não são as condições de trabalho, mas o amor envolvido!

Minha primeira dica é: você não precisa de tanto

Não precisamos ter tudo o que acreditamos ser necessário. Eu vivi por 10 anos na mala. Quando eu morava na China, comprei várias coisinhas baratas por lá, para agradar os olhos de quem vê, para suprir a estúpida ideia de que tenho que parecer chic, estilosa, com variedades. Quando enviei meus 20kg de produtos baratos para o Brasil, eles nem chegaram. O ditado do barato sai caro caiu em cheio. Ali eu aprendi que viver com apenas 23kg – o que eu conseguia carregar pelo mundo afora – é mais que suficiente.

Viajando percebi que eu nunca sentia falta das roupas que eu deixava para trás, eu estava sempre bem vestida, com minhas poucas peças baratas, que duravam por anos.

Hoje em dia eu tenho um guarda-roupa, mas o mindset de compra consciente continua, e meu marido me admira por isso. Eu me controlo, e isso é diferente do que estamos acostumados a ver. Ele tem 3x mais roupas do que eu.

Dica 2 – Escolhas conscientes

Isso tudo não significa que você não pode estar na moda e comprar uma peça ou outra em cada estação, mas faça escolhas melhores. Apoie marcas sustentáveis, garimpe em brechós.

Dica 3 – Customize o que você já tem!

Uma terceira dica e bem básica que faço, é otimizar o que eu tenho, como por exemplo cortar as calças e tranformá-las em shorts. Use as roupas do seu boy e das amigas, repare rasgos, ou rasque ainda mais.

Devido a falta de dinheiro para comprar coisas novas, no passado, eu sempre enfiei a tesoura nas minhas coisas velhas quando eu estava enjoada delas e só pelo fato de eu mudá-las, pareciam novas peças. Muitas vezes passei por vergonha na escola por fazer isso, pois esse tipo de coisa na minha época era coisa de pobre.

Como minha mãe dizia: “aqui em casa não é pobre quem muda de roupa, é a roupa que muda de pobre”.

Mal sabia ela que essa é uma consciência riquíssima. Eu usava coisas do meu irmão, quando não cabia mais, doávamos para os vizinhos, os vizinhos dividiam com a gente e por aí ía aquela roupa passando por várias vidas, e levando felicidade para os que não tinham.

#fashionrevolution em Berlim

Hoje eu diria que se não vivermos como pobres viveremos como miseráveis em poucos anos, então vamos nos conscientizar e ter mais amor pelo mundo, pela moda, menos luxúria, mais igualdade, mais carinho por quem faz.

Igualdade, não julgar a maneira como cada um faz a sua parte. Seja ela por necessidade ou escolha. Você não é só o que você come, você também é o que você veste. 

Um dia eu tive a necessidade de fazer essas coisas de pobre, hoje é nosso dever fazer essas coisas como nobres!

Karlla Agne

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