Imagine ter 21 anos e fazer história no mundo da moda? Isso é o que a modelo muçulmana Halima Aden conquistou nos últimos anos.

A modelo americana, mas de origem somali, participou da edição de maio da Sports Illustrated utilizando um hijab e um burkini, trajes típicos das mulheres muçulmanas, um feito inédito para a revista.

O ensaio foi fotografado por Yu Tsai e teve um significado importante para a modelo, já que o cenário utilizado foi a praia de Watamu, próxima ao local onde a modelo nasceu e cresceu.

Fico pensando em mim aos 6 anos que, no mesmo país, vivia em um campo de refugiados. Voltar para o Quênia e posar em um dos lugares mais bonitos. Não acredito que essa seja uma história que alguém poderia imaginar”, disse à revista. 

Esta não é a primeira vez que Halima quebrou uma barreira no mundo da moda, sua história é cheia de superação e vitórias. A modelo nasceu e viveu até os sete anos em Kakuma, um campo para refugiados no Quénia, pois a vila na qual sua família vivia foi incendiada durante a Guerra Civil da Somália.

Ela contou, durante uma palestra para o programa TED Talks, que teve uma infância feliz apesar das dificuldades. “Eu tinha esperança por um futuro melhor, mas isso não quer dizer que não passávamos por dificuldades. Às vezes eu ficava doente, com malária, e não sabia de onde sairia nossa próxima refeição”, relatou Halima.

Aos 7 anos, ela se mudou com a família para os EUA, onde sofreu diversas dificuldades tentando se adaptar a cultura e língua de um país completamente diferente. Mas Halima se superou com o passar dos anos, fez amizade com outros estudantes refugiados e também entrou para diversos clubes e times na escola.

O resultado foi tão bom que foi eleita rainha do baile no último ano na escola, sendo a primeira estudante somali a ser coroada.

A história de como se tornou modelo ainda é mais inusitada. Halima decidiu se candidatar ao concurso de Miss Minnesota quando tinha 19 anos e virou notícia ao dizer que desfilaria usando um hijab e um burkini.

Ela não ganhou o concurso, porém chamou a atenção de Carine Roitfeld, editora da revista CR Fashion Book, que a colocou na capa e fez sua carreira na moda decolar.

Em 2018, foi a primeira modelo a utilizar um hijab em uma capa da Vogue Britânica. E, em março deste ano, fez história ao parecer junto a outras três modelos muçulmanas na capa da Vogue Arábia.

Halima conta que sente motivação ao saber que pode inspirar outras jovens que, assim como ela, não encontram representatividade para mulheres muçulmanas no mundo da moda ou em qualquer outra profissão. 

“Não tenho medo de ser “a primeira”, de caminhar por conta própria, de me arriscar e buscar mudanças, porque é isso que significa ser parte de uma minoria. É usar a si mesma como um instrumento para a mudança”, disse a modelo. 

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